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INSTINTO X RAZÃO: OS SENTIMENTOS QUE NÃO GOSTARÍAMOS DE TER


Somos todos animais. Sim, animais... mas com intelecto! E, nessa dualidade "animal / racional, muitas vezes percebemo-nos divididos entre o que sentimos e o que a nossa razão nos diz que deveríamos sentir. Ficamos entre o INSTINTO e a RAZÃO.

O instinto e a razão ocupam extremidades opostas em um mesmo fio. De um lado há o instinto pura e simplesmente. Ou seja, o animal, o fisiológico, o orgânico. Aquilo que todos os animais possuem e que é o responsável pela sua existência material e pela manutenção de sua saúde. É graças a ele – ao instinto – que evitamos coisas que podem nos fazer mal, mesmo sem termos consciência clara disso. É por ele, também, que os animais lutam para sobreviver e aprimoram, cada vez mais, as suas habilidades de caça e fuga.

Mas, ao passo que uma espécie animal desenvolve o seu intelecto, vez por outra a combinação de idéias poderá substituir as reações instintivas, estruturando pensamentos e soluções para funções básicas do dia a dia. Quanto maior o grau de intelecto daquela espécie, menor (ou mais contido) é o instinto. Assim, instinto e intelecto compartilham do mesmo fio evolucionista, ficando, entretanto, em extremidades opostas. Aonde há mais de um, há menos do outro, e vice-versa.

Instinto e intelecto existem em porções diferentes em cada espécie animal. Mas falemos sobre o ser humano. Diferimos das outras espécies porque temos uma inteligência supostamente desenvolvida, capaz de analisar, imaginar, conceber e realizar coisas. Espiritualmente, possuímos também, um espírito em condições evolutivas aptas ao raciocínio e à lógica. Mas isso não quer dizer que já sejamos puramente razão! Ainda temos nossa parte animal! Vivemos, na verdade, transitando sobre essa linha divisória, entre o físico/animal e o espiritual/racional. E é, justamente, por não estarmos nem de um e nem de outro lado que, vez por outra, somos capazes de alterar nosso status emocional/racional gritantemente, de um momento para outro.

Nesse particular, os órgãos dos sentidos têm função preponderante. É através deles e de suas percepções que o instinto é aguçado e evocado. O toque, o gosto, o olfato, o cheiro e a audição são portas de acesso a reações instintivas. E todas essas informações já estão devidamente acondicionadas em nossa genética. Não precisamos ter tido contato físico com algum animal para sabermos se é ou não perigoso para a nossa saúde. Aliás, nesse sentido, explica-se a repugnância da maioria das pessoas às baratas. As experiências de nossos ancestrais, carregadas em nosso DNA nos indicam que não devemos ter contato com esse animal, e isso porque é um inseto que anda em locais imundos e que hospeda bactérias que podem ser extremamente nocivas ao ser humano. A criança ainda não sabe nem o que é bactéria, mas já tem aversão à barata.

Da mesma forma, o aroma de uma comida bem preparada – que nunca experimentamos - aguça o nosso paladar e desperta uma série de sensações orgânicas que vão culminar com o desejo de comer aquela iguaria. Na mesma linha de raciocínio, a visão de uma mulher bonita e de corpo escultural transmite ao homem, embora de forma inconsciente – ou instintiva -, a mensagem de que possui boa saúde e pode gerar uma cria saudável. Seios fartos indicam que a cria será bem alimentada e terá maior chance de sobrevivência devido aos anticorpos presentes no leite materno. Quadris largos indicam que a cria poderá ter um nascimento tranqüilo. O conjunto dessas informações libera sensações no homem traduzidas como DESEJO; afinal, o desejo é o ponto de partida para a reprodução, objetivo maior de todo o ser vivo (sob o ponto de vista material).

Podemos então refletir sobre nossas sensações e o quanto elas são conseqüência de nossa programação genética. E dela não podemos fugir. E são essas sensações e vontades, partes integrantes de nosso INSTINTO, que nos encaminham para ações e pensamentos que, muitas vezes repudiamos ou gostaríamos de não produzir. O homem casado que se sente atraído fisicamente por uma outra mulher; o paciente em dieta que sente impulso em comer determinado prato; e muitos outros desejos causados pela satisfação dos sentidos.

Aliás, Buda já afirmava que a fonte da infelicidade humana está no DESEJO. E isso é a mais pura verdade, se lembrarmos que são eles – os desejos – que nos impulsionam a ações nem sempre condizentes com o que o raciocínio estabelece como correto.

Instinto, desejo, sentidos e prazeres caminham juntos e, para serem refreados, é necessário o raciocínio, a reflexão. Nada além disso tem poder suficiente para suprimi-los. Quando paramos para pensar sobre os nossos sentimentos, desejos e paixões, estamos colocando sobre eles uma força contrária e limitadora: a razão.

Mas, a razão, somente, às vezes não é suficiente para superar uma tendência ou um desejo violento. Mesmo porque, a RAZÃO, ou a REFLEXÃO, é diretamente proporcional às experiências armazenadas pelo espírito. Um espírito bastante experiente, que já tenha vivenciado determinadas situações, saberá, com muito mais facilidade, resolver uma determinada inclinação. Em contrapartida, espíritos pouco experientes, ao se defrontarem com sentimentos instintivos poderão não saber como resolvê-los, e acabarem facilitando a sua concretização.

Outro ponto importante é que, além da razão, há de haver a VONTADE, caso se queira vencer determinado instinto – aqui também incluindo as chamadas PAIXÕES, forças criadas pelo DESEJO. Em outras palavras, não adianta a pessoa perceber que possui determinada inclinação, não adianta perceber que essa inclinação é negativa e nem adianta refletir sobre suas conseqüências se não houver a VONTADE, a força, a perseverança para dominá-lo.

Dominar uma paixão, um desejo, um vício, é quase sempre uma das tarefas mais difíceis do caminhar humano. Aliás, não só a quantidade de experiências armazenadas, mas também a força de vontade refletem características do espírito. Logo, culpar apenas a matéria pela existência de desejos e sentimentos que não gostaríamos de ter não é a medida mais correta. O melhor, nesse caso, é fortalecer nossas convicções morais e espirituais, fazendo com que nossa força interior cresça, sustentada pela consciência segura de que está-se tentando fazer o melhor.

Instinto gera desejo, que gera paixão, que gera pensamentos e sentimentos que, muitas vezes não gostaríamos de ter, como gula, inveja, orgulho, luxúria e muitos outros. Em contrapartida, diz a literatura espírita que todas as más inclinações humanas têm origem no EGOÍSMO. Se refletirmos, veremos que o egoísmo é a primeira paixão gerada por nossos instintos. Ele está diretamente ligado ao instinto de sobrevivência, que nos impele à auto-conservação independentemente dos demais indivíduos.

O que costumamos esquecer é que, se temos paixões e desejos provocados por nossos instintos, nosso vizinho também os tem! Temos o hábito de perdoar com certa facilidade os nossos sentimentos negativos, mas esquecemos de ver que, se temos dificuldade em vencê-los, nossos semelhantes também tem. A compreensão desta simples reflexão encaminha – inexoravelmente – ao PERDÃO. E, ao desenvolvermos essa consciência, estaremos, já, dando mais um passo no “fio evolucionista” no sentido da razão, deixando um pouco mais para trás o instinto.

Deixar o instinto para trás, vencê-lo ou confiná-lo é uma tarefa das mais difíceis. Mas não podemos nos julgar meras marionetes nas mãos da matéria. Temos nossa individualidade, nossas experiências enquanto espíritos, nosso raciocínio e nossa força de vontade. Fortalecendo o lado espiritual através de boas ações, pensamentos e estudo, dominamos nosso EGO mais facilmente, bem como os desejos e as paixões, suas filhas.

Poderíamos ainda discorrer sobre vários tipos de sentimentos dos quais costumamos nos arrepender, como ira, preguiça, maledicência, etc. Mas, preferimos encerrar dando uma receita que facilita, e muito, a vencer esses tipos de sentimentos: Trata-se da OCUPAÇÃO. Ocupemos nossa mente e nosso tempo com ações positivas, com algum trabalho voluntário, com o estudo, com a instrução espiritual ou com qualquer trabalho que nos una aos bons sentimentos e à espiritualidade. Com isso, estaremos fortalecendo nosso lado espiritual / racional, em detrimento do lado animal / instintivo / passional / egóico. Aliás, trabalhar – dizem – cansa! Mas a força de vontade não é mesmo essencial para vencer os instintos?

A CENTELHA DIVINA, por ser uma Missão Umbandista e por ter como referência a prática da caridade, do amor e do respeito ao próximo, seguindo as sagradas Leis de Umbanda, não exerce cobrança financeira de qualquer tipo, por qualquer atendimento ou trabalho realizado, bem com não realiza o sacrifício de qualquer animal, nem utiliza qualquer coisa de origem animal em seus rituais.
 

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