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O NOME E A QUALIDADE DO MEU ORIXÁ


Descobrir quem são seus Orixás é uma das maiores expectativas de todo médium. Mas quais são os nomes possíveis? O que eles representam? Quais Orixás podem ser identificados na Umbanda?

Para começar, é bom lembrar que o Orixá é parte de Deus, é irradiação divina, e que o nome, na verdade, fomos nós, encarnados, que criamos. Em outras culturas, a mesma vibração que chamamos de Xangô é chamada de Heviossô, de Badé ou mesmo de Thor; todas correspondentes ao mesmo Senhor do Trovão! Logo, não é o nome que define a vibração; ela preexiste a este, e continua a existir independente da forma pela qual a chamamos. Na Umbanda, por tradição, utilizamos os nomes dos Orixás Yorubás para denominar a maior parte das vibrações divinas, mas poderíamos denominá-las de outra forma, com nomes originados da mitologia grega, por exemplo, e elas continuariam sendo as mesmas.

Das culturas africanas, herdamos o conhecimento de cerca de dezesseis denominações diferentes de Orixás e de mais de uma centena de subdenominações, que alguns entendem como “qualidades” dos dezesseis Orixás principais, e que remetem a momentos específicos de suas lendas ou atribuem novas características ao arquétipo original. Por exemplo: Oxum é um dos dezesseis Orixás principais e possui um arquétipo bem definido, que remete à doçura, sensualidade, etc. No entanto suas subdenominações – ou qualidades – acrescentam a essas características outros atributos mais específicos: Oxum Opará, além de possuir as características primárias de Oxum, também é guerreira; Oxum Abalô é idosa, Oxum Karê é espevitada, Oxum Ijimu é feiticeira, e assim por diante. Lá no Candomblé é importante conhecer bem todas essas qualificações pois, para cada uma delas, há elementos diferentes a serem acrescentados ao assentamento do Orixá. Como na Umbanda os fundamentos são bastante diferentes do Candomblé e não utilizamos os mesmos elementos materiais, não há essa necessidade. Por isso, embora haja exceções, não é preciso, de regra geral, identificar e nem informar ao médium se ele é filho de “Oyá Bagan”, “Oyá Funan” ou “Oyá Topé”, por exemplo, mas somente de “Iansã”, já que, seja qual for a qualidade de sua Oyá, será tratada exatamente da mesma forma que todas as outras dentro do terreiro de Umbanda.

Por este motivo, muitos nomes que são utilizados no Candomblé não são conhecidos pelos médiuns umbandistas, e nem precisam ser! Em contrapartida, há certas denominações para identificar vibrações de Orixás que são adotadas somente na Umbanda e não são usadas no Candomblé. O exemplo mais comum é a denominação de “Sereia”. No Candomblé não existe A SEREIA. Lá existem qualidades do Orixá Iemanjá, como “Yemowô”, “Iyamassê”, “Assessu”, e outras. Na Umbanda, usamos a palavra “Sereia” para designar um tipo específico de falangeiras do Orixá Iemanjá ou do Orixá Oxum, cujo local de regência seja bem no fundo do mar ou do rio, ou cuja forma de apresentação perispiritual remeta a clarividência à essa figura meio peixe, meio mulher. Outro nome particularmente utilizado na Umbanda é “Tarimã”, adotado para identificar também falangeiros de Iemanjá, mas que se apresentam como tritões ou sereias do sexo masculino. Mas, é bom lembrar que, uma vez que a questão de denominação é apenas uma convenção humana e o que importa mesmo é a vibração divina correspondente, a mesma pessoa que no terreiro de Umbanda foi identificada como “filha de Sereia do Rio”, por exemplo, lá no Candomblé será identificada como filha de uma das qualidades de Oxum, assim como aquela que foi identificada como “filha de Sereia do Mar” ou “filha de Tarimã”, lá no Candomblé será enquadrada como filha de uma das qualidades do Orixá Iemanjá, de maneira que, seja pela identificação em uma ou em outra religião, ambas estarão corretas. É questão de nomenclatura, apenas.

Esclarecida a questão da denominação, outro ponto que é importante discutir é a questão de “quais Orixás podem ser identificados na Umbanda”! E a resposta para essa questão é muito simples: Já que o conceito de Orixá tem relação com o conceito de ARQUÉTIPO e com a vibração divina correspondente, e já que a quantidade de arquétipos possíveis e de vibrações irradiadas de Deus são infinitas, então dentro de um terreiro de Umbanda podem ser cultuados tantos Orixás quanto forem os arquétipos e irradiações divinas conhecidas pelo seu dirigente. Há terreiros de Umbanda que se sentem à vontade trabalhando apenas com sete, outros com doze, outros com quatorze ou dezesseis. Se houvesse conhecimento para tal, poderiam ser cultuados os mais de 600 que eram cultuados na África ou os mais de 300 milhões da Índia, embora lá, os mesmos arquétipos e forças da natureza fossem identificados com nomes hindus e classificados como “deuses”.

Um dos Orixás – ou irradiações divinas – que mais causam dúvidas é o Orixá Exu. Esta é aquela irradiação de Deus que atua sobre a comunicação, sobre o comércio, sobre os caminhos e sobre o início de qualquer atividade humana. É o primeiro passo para qualquer coisa, e é por isso que “sem Exu não se faz nada”, como já diz o dito popular. Muita gente acredita que só possa haver filho de Exu no Candomblé. No entanto, como com qualquer outro, ninguém muda de Orixá porque está no Candomblé, na Umbanda ou no Budismo. O Orixá é o mesmo em qualquer religião. O que muda é a forma como é tratado.

No Candomblé, assim como os outros Orixás, o Orixá Exu também tem várias qualidades, que recebem nomes como “Eleru”, “Bara”, “Okoto”, “Gnubagiro” e muitos outros. Na Umbanda, o Orixá Exu é representado pelos “Exus Entidades”, que são espíritos falangeiros dessa força divina, que manipulam essas vibrações e que possuem nomes como Tranca-Ruas, Maria Padilha, Tiriri, etc. Como o Orixá de ninguém muda de acordo com a religião em que ela estiver, se a pessoa for realmente filha do Orixá Exu, continuará sendo em qualquer lugar que resolver frequentar. Se estiver no Candomblé, além de ser identificada como filha desse Orixá, será também indicada a sua qualidade e o mesmo será devidamente cuidado conforme os fundamentos daquela religião. Se estiver na Umbanda, será identificado, simplesmente, que seu Orixá é Exu, sem indicação de qualidades; e o representante dessa força em seu “ori” será o seu “Exu Entidade”, como o Exu Caveira ou o Tranca-Ruas, por exemplo, de forma semelhante a como acontece com a pessoa que é filha de Oxóssi e tem seu Orixá representado na Umbanda pelo seu Caboclo; ou como aquele que é filho de Ogum e, na Umbanda, seu Orixá é representado por um falangeiro com nome como “Ogum Beira-mar”, “Ogum Sete Espadas”, “Ogum Iara”, etc, diferente das qualidades do Orixá Ogum encontradas no Candomblé, como “Ogum Onirê”, “Ogum Olodê” ou “Ogum Wari”, por exemplo.

Outro Orixá que gera muitas controvérsias é Oxalá. Muitos umbandistas acham que não pode haver filhos desse Orixá na Umbanda e, na maior parte das vezes, essa crença é oriunda da confusão causada pelo sincretismo; pois, se Oxalá é Jesus – acreditam – ninguém poderá, jamais, recebê-lo no terreiro! Contudo, a verdade é que Oxalá, assim como qualquer outro Orixá, é força irradiada de Deus e que, nesse caso específico, rege sobre toda a natureza e sobre a atividade de CRIAÇÃO, e expande os sentimentos de amor incondicional e fé. Por essas características, é SINCRETIZADO com Jesus, mas, como qualquer outro Orixá, é também representado no terreiro de Umbanda por falangeiros, que são espíritos em alto grau de evolução que manipulam as energias irradiadas dessa vibração divina.

Aliás, como já deu para perceber, sendo os Orixás IMANÊNCIAS de Deus, ou seja, personalidades inerentes do Criador, fica claro que ninguém os incorpora, já que ninguém pode receber o próprio Deus (embora muitos achem assim). Quem recebemos, representando essas forças divinas, são espíritos em grau de evolução bastante avançado e que possuem o conhecimento e a capacidade de manipular as energias irradiadas dessas vibrações, assumindo, inclusive, os arquétipos a elas correspondentes e comportando-se, quando incorporados, como o guerreiro, como o caçador, como a criança ou da forma que melhor representar o que entendemos daquele Orixá.

Em muitos terreiros de Umbanda, independente de qual Orixá representem, todos esses espíritos falangeiros recebem o “pré-nome” de “Caboclo”. Nesses casos, você encontra o “Caboclo Oxóssi Rompe Mato”, falangeiro do Orixá Oxóssi, o “Caboclo Ogum Beira-Mar”, falangeiro do Orixá Ogum, o “Caboclo Xangô Sete Pedreiras”, falangeiro do Orixá Xangô, a “Cabocla Iansã”, falangeira do Orixá Iansã, a “Cabocla Oxum”, falangeira do Orixá Oxum, e assim por diante. Em outros terreiros, como na CENTELHA, a palavra “Caboclo” é mantida somente para designar os falangeiros de Oxóssi e Ossâin, Orixás das matas. Assim, em terreiros como o nosso, os mesmos falangeiros citados anteriormente são conhecidos por “Caboclo Rompe Mato”, “Ogum Beira-Mar”, “Xangô Sete Pedreiras”, “Iansã” e “Oxum”, esses últimos sem o apelido de “Caboclo”, para não confundir com os falangeiros das matas, de Oxóssi e Ossâin.

Portanto, se o seu Orixá é conhecido no Candomblé por “Ogum Wari” - qualidade de Ogum que acompanha Oxum - ou se você na Umbanda denomina essa vibração de “Ogum Iara” – Ogum que rege nos rios -, ou, ainda, se o chama de “Caboclo Ogum Iara”, nada disso importa! O importante é entender que TODOS os espíritos que recebemos são FALANGEIROS, e não deuses, e que, pertencendo a uma mesma falange de espíritos, apresentam-se com o mesmo arquétipo, trabalham sob a mesma irradiação divina chamada Orixá “tal”, regem sobre o mesmo elemento da natureza e atuam sobre os mesmos tipos de relações sociais. E, além de tudo, como se não bastasse, ainda cuidam de nós carinhosamente, como os pais cuidam dos seus filhos; mesmo quando, pela nossa ignorância, damos mais valor ao seu nome que à sua essência.

Amplexos,

Tata Luis

A CENTELHA DIVINA, por ser uma Missão Umbandista e por ter como referência a prática da caridade, do amor e do respeito ao próximo, seguindo as sagradas Leis de Umbanda, não exerce cobrança financeira de qualquer tipo, por qualquer atendimento ou trabalho realizado, bem com não realiza o sacrifício de qualquer animal, nem utiliza qualquer coisa de origem animal em seus rituais.
 

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