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O QUE VOCÊ PODE FAZER PELA UMBANDA


Quando você tem algum problema, você recorre à Umbanda para tentar aliviar as suas dores. Mas e quando é a própria Umbanda que precisa de ajuda, com quem ela deve ou pode contar? Você já se perguntou o que você pode fazer pela Umbanda?

É claro que os problemas pelos quais a Umbanda passa são de natureza muito diferente dos seus. Ela não tem questões emocionais, profissionais ou financeiras para resolver; não busca promoção no emprego e nem a volta do amor em três dias; mas há uma série de outras questões que a enfraquecem e lhe causam dor, e que não devem ser esquecidas.

Um dos problemas principais pelos quais a Umbanda passa é a intolerância; e intolerância de dois tipos: externa e interna! Com relação à intolerância interna, aquela que acontece de terreiro para terreiro e que mina, de dentro para fora, as forças da religião, destacamos como causas majoritárias dois importantes fatores, que são: a vaidade de dirigentes, que se acham os únicos conhecedores dos verdadeiros fundamentos umbandistas, ignorando que o mesmo prato pode ser preparado com temperos e ingredientes diversificados, mas mantendo o sabor, o valor nutritivo e podendo saciar a fome da mesma maneira; e, como segunda causa, a comodidade, também por parte de alguns dirigentes, de aceitar apêndices doutrinários sem o mínimo de avaliação racional ou censo crítico, permitindo que sejam introduzidos e aceitos quaisquer tipos de conceitos espirituais como se verdades fossem, ainda que completamente destituídos de lógica e fundamentos racionais dentro da religião. Quanto a esses dois tipos de problemas, pouco o médium comum pode fazer, já que dependem, na maioria das vezes, da postura e da atuação das direções espirituais.

Mas, o segundo tipo de intolerância, aquele que vem de fora para dentro, é um problema que, este sim, pode ser resolvido com a contribuição de qualquer um que frequente um templo umbandista, seja médium, cambono ou curimbeiro.

Este tipo de problema tem duas causas principais. A primeira é a ignorância da sociedade e a segunda é a campanha degradante maciça contra a Umbanda, que fomenta no leigo o medo, a aversão e o preconceito em relação à religião, utilizando, para isso, a mídia de regra geral e exacerbando falhas morais e doutrinárias encontradas no seio dos próprios frequentadores umbandistas, e usando, como referência, trabalhos erroneamente atribuídos à Umbanda, generalizando, como se fosse tudo a mesma coisa, tanto o que se faz dentro dos terreiros quanto as promessas de feitiços por vingança, amarração e venda de favores espirituais diversos.

Em relação à primeira causa citada para a intolerância externa - que é a ignorância da sociedade -, todos os frequentadores da Umbanda, incluindo você, têm certa responsabilidade; ou pela omissão ou pela ação equivocada.

Você é omisso, por exemplo, quando existe a possibilidade de você esclarecer ao leigo o que é realmente a sua religião, em que ela acredita e como ela trabalha, e não o faz; deixando a situação de ignorância perdurar, quando poderia, pela sua ação, ser diminuída; ou esperando que as devidas ações esclarecedoras partam de outas pessoas, como, por exemplo, quando há determinados movimentos organizados por setores relacionados à religião, preocupados em motivar a sociedade ao entendimento, e você, simplesmente, não se importa, não colabora, não faz o que está ao seu alcance, porque julga perda de tempo, acha que tal ação não merece a sua valiosa presença, ou pensa que “não vai adiantar nada mesmo” ou que “já vai ter muita gente”.

Essa é uma atitude covarde e preguiçosa, e que não corresponde à forma como a Umbanda te trata, sempre com tanto carinho, respeito e dedicação, mesmo nas menores coisas ou naquilo que você mesmo poderia resolver, por si só!

Você também estimula a ignorância e o entendimento errado quando, revestido do título de umbandista, utiliza os meios de comunicação divulgando pensamentos contrários à Umbanda, faltando com o amor, a caridade ou colocando frases de efeito que evocam a religião, mas que, em verdade, não correspondem ao que ela realmente é, ou que pouco tem a ver com sua doutrina, prestando, com isso, um “desserviço” à causa umbandista, usando frases que incitam ao ódio, ao medo e à vingança, dizendo que o seu Exu ou a sua Pombagira “sabe tomar conta dos seus inimigos”, ou que “não mexa comigo porque o meu Orixá fulano de tal não dorme!”, e outras de cunhos semelhantes.

Quando você, que conhece a Umbanda - e que é identificado por todos os amigos de sua rede de relacionamentos como uma pessoa UMBANDISTA - se posiciona de forma avessa aos ensinamentos da religião – que prega o amor, a caridade e o perdão -, seus amigos não veem aquelas palavras como tendo sido simplesmente proferidas por você, mas pelo umbandista que você diz ser; e passam a entender a sua religião como algo que aprova e compactua dos mesmos pensamentos. Por isso, se você é REALMENTE umbandista, e assim se considera e quer que a Umbanda seja mais bem conhecida para ser respeitada, deve entender a enorme responsabilidade que há sobre seus ombros; e que, em um cenário já contrário à sua religião, cada palavra, gesto ou ação que você realizar – ainda que de puro cunho pessoal - poderá contar a favor ou contra o correto entendimento da mesma, por parte do leigo. Pouco adianta querer que os outros respeitem a Umbanda, se você mesmo fornece as pedras para a alvejarem ou alvejarem você mesmo, enquanto umbandista que é! E depois não adianta reclamar!

Em relação à segunda causa da intolerância externa que a Umbanda recebe - que é a campanha maciça contrária, usando os meios de comunicação -, há atos que você também poderia realizar que, de certa forma, auxiliariam ao combate a esses tipos de ataques. Falamos do seu posicionamento perante à sociedade e à política!

Os meios de comunicação são concessões federais e que, como tais, não podem ser utilizados de outra forma que não seja visando a informação e o entretenimento, embora muitos desses detentores de concessão os utilizem com intenções proselitistas e agressivas à Umbanda. E sabe por que isso acontece? Porque não há vontade política de fazer com que as leis sejam respeitadas. E a falta dessa “vontade” se dá por duas razões básicas: a primeira é que, oficialmente, os seguidores de religiões de matrizes africanas pouco aparecem nos censos demográficos, pois se escondem e não revelam sua real condição quando indagados sobre a religião que professam. Preferem se dizer católicos ou espíritas e, por isso, acabam não constituindo oficialmente, uma quantidade de eleitores expressiva aos olhos dos políticos, pela qual eles sintam que valha a pena brigar e defender, permanecendo, dessa forma, invisíveis à sociedade, como fantasmas de quem se ouve – às vezes – as vozes, mas que ninguém sabe, realmente, aonde estão e quantos gritam. Da próxima vez que o recenseador for à sua casa, informe-lhe, realmente, a religião em que você acredita. É o mínimo que pode fazer por ela.

Além disso, sua postura política é muito importante! Você pode não gostar de política, mas a SUA RELIGIÃO precisa da sua voz! Quem não expressa a sua vontade, acaba tendo que aceder à vontade dos outros. Por isso, é importante que você procure dentre os possíveis candidatos aos cargos públicos aqueles que melhor reflitam os seus ideais e, em se tratando de religião, os que tenham como plataforma, propostas que visem atender as suas necessidades mais urgentes. Não é possível manter, na sociedade atual, com tanta campanha contrária à Umbanda e políticos interessados em combatê-la, a ideia de que “política e religião não se misturam!”. É óbvio que, dentro dos terreiros, a política a ser adotada é somente aquela determinada pela sua direção espiritual, e que envolve a forma como os ritos são praticados e o conteúdo da doutrina transmitida; mas, da porta dos terreiros para fora, a Umbanda necessita ser ouvida e, para isso, deve ter posicionamento consistente, para que sua voz não seja abafada pela maioria que não queira ouvi-la.

Então, se, com tudo isso, você ainda acha que seu papel como umbandista se resume ao que você faz com as guias no pescoço e enquanto veste suas roupas brancas, então é sinal de que você ainda não percebeu a gravidade da situação em que a sua religião se encontra, e a importância de sua ação para auxiliá-la a resolver!

Você precisa da sua religião, mas ela também precisa de você! E a hora de começar a agir – se já não passou -, é AGORA! Arregace as suas mangas! Mostre ao mundo que você não é umbandista somente dentro do terreiro! Somente assim, a religião que você diz tanto amar poderá começar a virar esse jogo e passar a ser mais respeitada! Só assim, você estará retribuindo a ela por tudo que ela já fez, faz e ainda fará por você! E só assim, você estará contribuindo, de fato, para que, daqui a algum tempo, possa haver a certeza de que você poderá continuar a se encontrar no seu templo com os seus Guias e amparadores, sem que seu terreiro seja apedrejado e incendiado; sem que seus filhos sejam discriminados na escola ou pelos coleguinhas, entendidos como seguidores de um culto diabólico; que seus Guias possam ser entendidos como o que realmente são: espíritos iluminados, comprometidos com o amor e com a caridade!

A Umbanda precisa da sua ajuda! E tenho certeza de que - nesse ponto - os seus Guias também, já que eles não podem atuar sobre a sociedade sem a sua colaboração! Por isso, é claro que podemos continuar a nos socorrer nos nossos terreiros; mas, ao invés de só queremos saber em que podemos ser ajudados, deveríamos nos perguntar todos os dias ao acordar: “o que eu posso fazer hoje pela Umbanda?”.

Amplexos,

Tata Luis

A CENTELHA DIVINA, por ser uma Missão Umbandista e por ter como referência a prática da caridade, do amor e do respeito ao próximo, seguindo as sagradas Leis de Umbanda, não exerce cobrança financeira de qualquer tipo, por qualquer atendimento ou trabalho realizado, bem com não realiza o sacrifício de qualquer animal, nem utiliza qualquer coisa de origem animal em seus rituais.
 

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